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Sentido é o que procuramos a todo momento.

E se nada faz sentido, então tudo o que fazemos tem sentido.

E eu acho que esse é o sentido maior de estar sempre no presente.

Mas existe um obstáculo que se chama ansiedade.

Porque se buscamos por um sentido que não está no momento presente, a possibilidade maior é que ele esteja no futuro. Se tiver ficado no passado então o nome mais indicado é depressão. E que coisa maluca é essa onde o presente parece não ser suficiente, parece não preencher nossa alma. Que coisa verdadeiramente insana querer sempre o que nunca será. Pois uma vez que o pretenso futuro chega, ele se transforma em presente por alguns segundos e imediatamente se torna passado. É um processo que se repete a cada segundo, a cada momento que respiramos, a cada piscada de olho. É como correr incessantemente atrás do rabo. Uma luta inglória e a qual nunca venceremos. E a verdadeira loucura é que não aprendemos. Essa passagem acontece conosco desde o segundo em que nascemos. Convivemos com ela como convivemos conosco mesmo, e ainda sim não aprendemos. Ainda sim passamos pela vida nesta eterna insatisfação de um futuro que nunca chega e de um passado que ilusoriamente achamos mais colorido. E essa aflição não é privilégio dos portadores de transtorno do pânico. Está aí fora, aqui dentro, em todos os lugares. É só olhar, não tem como não perceber.

Tenho pensado muito nisso ultimamente.

Se antes a ansiedade fechava meu estômago, agora me faz comer muito. Se quando estou numa crise muito forte não consigo fumar, agora fumo muito. E sem remédios é a comida e o cigarro que me acalmam. Mas essa calma é tão artificial quanto a que o remédio me proporcionava. Ou seja, o pânico não acabou, ele não foi embora. Ele está sendo gerenciado por substâncias fora de mim. A minha calma continua sendo parcialmente artificial.

Os problemas e as soluções não estão fora.

Não precisamos buscar em outro lugar.

Está tudo aqui.

Precisamos é ter os olhos para ver.

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