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É estranho como o tempo vai passando, como a vida vai acontecendo e em algum nível é sempre a mesma coisa. Coisas boas acontecem, coisas ruins atravessam a nossa vida o tempo todo, todos os dias. Em setembro eu quase perdi minha mãe, passei dias na sala de espera da uti, depois mais dias no hospital e depois mais alguns meses acompanhando sua recuperação. Nesse tempo todo só uma vez cheguei perto de uma crise, num dia que parecia mais longo que os outros eu senti todas as dores e o medo chegando. Na sala de espera eu achei que não conseguiria entrar para visita-la, achei que perderia os 15 minutos diários que eu tinha com ela. Foi dolorido perceber até que ponto o pânico poderia me controlar e me limitar. Dor em cima de toda a dor que se passava. Mas apesar de muitas vezes o pânico ter ditado muito das minhas ações e muitas vezes, no longo prazo, ter sido positivo, eu percebi que eu poderia dar o tamanho e a solidez para essa condição. E que de vez em quando o contexto fora realmente é sério, é de verdade, e é de vida e morte. Ainda que não seja a minha vida ou a minha morte. Pensei em muitas coisas naqueles dias, mas nenhuma delas foi em mim, na minha sensação de solidão ou no meu medo de perder minha mãe. Talvez uma parte de se lidar com o próprio pânico seja tirar o foco do pânico. Ficamos tão submersos em nossa própria dor que mesmo quando ela diminui fica difícil de admitir e abrir mão das preocupações, abrir mão de estar absorvido em si mesmo. 

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