Esses últimos meses têm sido diferentes. Eu reconheço as sensações e ainda assim elas me parecem estranhas. Tenho sentido mais impaciência, mais irritação e como não poderia deixar de ser, mais confusão mental. Tenho sentido meus pensamentos chegarem de uma maneira agressiva, como que demandando minha atenção, como se estivessem gritando comigo. Não é sempre, não é toda hora, mas é incômodo, principalmente porque em algum momento eu realmente acreditei que essa “fase” tinha passado.

Eu acreditei piamente que uma vez que tivesse conseguido acalmar esse tipo de pensamento eu não os teria mais. Não sei porque ou de onde tirei essa ideia. Parece estapafúrdia agora escrevendo. Eu não sei porque acreditei que poderia ficar sem praticar de maneira consistente e que tudo continuaria igual. Não entendo porque acreditei que manutenção e consistência seriam menos fundamentais para a mente do que são para o corpo.

A verdade é que a única importância disso tudo foi perceber que nenhuma dessas coisas que eu acreditei eram reais. Acho que tenho uma tendência  relaxar quando as coisas estão bem, a deixar pra lá:

“ahh, está indo tudo tão bem… amanhã eu sento e pratico direito, amanhã eu fico mais tempo meditando… não preciso mais tanto assim…”

cada vez fica mais claro para mim como eu me distraio facilmente, como deixo minha mente ser levada para os lugares mais improváveis. Talvez venha daí a razão pela qual o pânico cravou suas garras em mim tão profundamente.

De qualquer maneira tudo tem um lado bom e dessa vez o lado bom foi perceber esse movimento de altos e baixos, de que a minha estabilidade depende de uma consistência. É bem parecido com a época em que tomava remédios: eu não podia passar uma semana sem toma-los.

Logo a única coisa que mudou de verdade foi o tipo de remédio, não a necessidade de tomá-lo todos os dias.

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