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E o que você faz quando consegue perceber seus padrões se repetindo?

Como um filme na TV as mesmas coisas acontecem, as mesmas reações se repetem, as mesmas sensações aparecem. As alegrias, as tristezas, as irritações – elas estão todas ali, é só aparecer o gatilho certo.

Se recebo uma resposta, fico feliz, se não entendo alguma coisa, fico irritada e nunca mais quero interagir, mas é só mudar o tom e rapidamente fico feliz de novo. Como é possível ter tantas mudanças de humor num só dia? Às vezes no espaço de uma só hora?

E com as dores é a mesma coisa.

Está cada vez mais nítido a minha mudança de humor quando sinto alguma dor, nem precisa ser uma crise, só o suspiro da lembrança pode ser suficiente. Eu tenho percebido, tenho visto acontecer. Às vezes antes, às vezes durante, muitas vezes depois. Às vezes eu imagino o que poderia acontecer e não tem erro, acontece exatamente como eu imaginei antes.

As noite têm sido difíceis e agora eu já me pego esperando que elas sejam difíceis mesmo, e para a minha falta completa de surpresa elas realmente são. Difíceis, chatas, se arrastam e cada vez mais eu me vejo criando o meu próprio calvário.

E hoje me bateu essa clareza, esse insight de enxergar meus processos. Parece que a coisa vêm se construindo há alguns meses e agora ficou claro de vez. A desatenção se construindo, a necessidade de distrair a cabeça, o distanciamento do ato de silenciar, a irritação, a raiva e a carência. Tudo começando pequeno, sem nem dar para perceber e agora a coisa toda tomando um tamanho tão maior. Fico tentando me lembrar das outras vezes, nos outros surtos como tudo isso se construiu e o tamanho que foi ganhando sem eu nem me dar conta do que estava se transformando dentro de mim. Eu não consigo saber se terei outro surto, não tenho mais disposição para grandes certezas, mas consigo perceber cada vez mais claramente a possibilidade de soltar e reverter o processo.

 

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