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Há tempos que não escrevo. A vida mudou tanto, deu tantas voltas, fez tantas curvas, me encheu de surpresas, de tristezas e de alegrias. Nada foi como eu imaginei que seria, mas para dizer a verdade eu não estava fazendo planos muito mirabolantes. Estava esperando viver um pouco da monotonia e das consequências do que havia plantado nos últimos anos.

Meu último post em 2014, eu estava com a vida até que bem arrumadinha. Sem pânico, namorando, indo ao templo, trabalhando… mas parece que a gente nunca fica quieto, ou talvez seja a vida que não goste de monotonia e gira a nossa roda.

Agora escrevendo eu acho que minhas buscas parecem ser sempre retornos, ou talvez uma descoberta ou afloramento de algo que sempre esteve lá. Quando estava na idade de prestar vestibular escolhi publicidade ao invés da escola de belas artes, depois quando tive a oportunidade de dar uma rasteira na vida quadrada, largar a faculdade e estudar fotografia também não estava pronta. Demorei mais tempo do que gostaria para entender que o comum não é o único caminho e que não adiantava eu tentar fazer a minha vida se encaixar nas formas porque eu não cabia nelas.

Não que eu ache alguma coisa errada com o que é mais tradicional ou conservador, é só que não me cabe. Sabe como é? Um tipo de calça linda que está na moda e todo mundo usa, mas em você não adianta porque não fica bem?

Bom, tudo isso para dizer que eu resolvi estudar arte de verdade como sempre sonhei. Ilustração para ser mais precisa! Entrei num curso básico em 2015, outro em 2016 e esse ano estou fazendo outros mais específicos. É uma alegria me sentir segura o suficiente para começar a trilhar um novo caminho profissional para mim.

E ao mesmo tempo vem a velha conhecida ansiedade que aparece diante de tudo que é novo. Estava e ainda estou com alguns receios: será que estou velha demais para mudar de carreira? Será que vou conseguir me sustentar com a minha arte? Será mesmo que posso me chamar de artista? Será que posso chamar o que eu faço de arte? E será que essa arte é boa o suficiente?

Para dizer a verdade o que eu noto é que os problemas, as dúvidas e as ansiedades nunca acabam, elas só mudam de aparência, se transformam, ficam com cara de outra coisa, mas no fundo é tudo a mesma coisa. Eu li outro dia que nós não buscamos de verdade o relacionamento ideal, ou o trabalho dos sonhos, nós perseguimos mesmo são as sensações que achamos que essas coisas externas trazem. E elas podem trazer mesmo, o único problema é ficarmos dependentes dessas condições externas acontecerem para sentimos felicidade, tranquilidade, senso de propósito.

De qualquer maneira eu não posso negar que eu busco sim essas condições externas. Quando a vida está uma bagunça fica mais difícil ainda achar esse lugar de serenidade interna. Então acho que tem que ser uma busca paralela, mas a prioridade tem que ser o mundo interno, olhar para ele, entender, aceitar e praticar para chegar nessa transformação e estabilizar, porque eu sinto o bem-estar me escapando com mais facilidade do que eu gostaria.

Então eu não sei dizer com 100% de segurança que superei o pânico. Eu não tenho uma crise de verdade há alguns anos, mas não deixei de ser ansiosa, de ter medo de certas situações e até a evitação aparece aqui e ali.

Mas eu sei que a minha ansiedade não é uma sentença para vida, eu não poderia pensar isso nunca, especialmente quando olho para a minha história. Eu só posso acreditar e seguir em frente. Eu achei que superar o pânico era meu destino final, mas a verdade é que meu mundo interno é rico demais, é cheio de surpresas, contradições, cheio de vida mesmo.

Então eu escolho seguir.

Seguir Sempre no Presente.

Escolho o amor.

Sempre.

 

 

 

 

 

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